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SOU UM VICIADO, SIM!

CaridadeViciei-me desde muito jovem e confesso que nem me apercebi de que o vício foi tomando conta da minha vida.

No início utilizei-me de doses tão pequenas que não poderia supor que me levaria à plena dependência, física, mental e psicológica.

O tempo foi passando, as doses foram ficando cada vez maiores e eu mergulhava numa sensação de bem-estar, euforia e felicidade, constantes jamais imaginadas. Mesmo por que com o tempo, percebi que sem estar embriagado, o prazer, a felicidade não existiam e a vida era mais chata, monótona e irremediavelmente incompleta.

Quando dei por mim, não podia mais voltar atrás, pois não sabia mais viver sem aquela maravilhosa sensação de não me pertencer, de não ser mais “eu”, de fazer parte de um grupo de pessoas diferentes, cuja única finalidade era a de ser feliz, mesmo que para isso eu viesse a não ter todos os bens que poderia ter conquistado, e que tivesse que levar junto comigo, pessoas que me amavam e outras a quem eu pouco conhecia.

Confesso ainda, que aquela sensação de liberdade, de ser o dono do meu nariz, de poder fazer tudo o que bem entendia sem ter que dar satisfação a ninguém, de ser feliz por mim mesmo, pelas escolhas que eu fiz e ainda desejo fazer, me completam e me realizam a cada novo amanhecer.

Ah! Se todos soubessem quão maravilhosas são as sensações que sinto, todos seriam viciados como eu e, então, todos seriam mais felizes, mais completos, mais realizados, mais livres, mais ricos e com maior abundância.

Afirmo que a tristeza seria uma palavra difícil de ser empregada e com o tempo até talvez, não fizesse mais parte de nosso linguajar. E não pense que parei na primeira coisa que experimentei, pois eu variei muito e ainda vario. Experimentei de quase tudo e de nada me arrependo.

Tudo começou na minha adolescência pela influência de um amigo. Ah! Vocês não têm idéia do que um amigo é capaz de fazer, o prazer que ele pode lhe proporcionar e a felicidade constante que é capaz de doar com o simples gesto de estender sua mão, em sua direção. Quando esse meu amigo me estendeu sua mão, eu a agarrei mais do que depressa e minha vida se transformou, para sempre.

Hoje, não vivo sem pelo menos um amigo que possa me proporcionar mais vícios que queira me acompanhar em todos os passos que dou, em cada movimento que executo, em cada ato que pratico, em cada atitude que tomo, em cada negócio que executo.

Sou muito rico e não interessa os meios que utilizei para fazer fortuna, pois o que vale é o resultado e o meu, sempre foi muito positivo.

Você quer saber se arrastei pessoas nesse meu modo de viver? Claro que sim!

Ninguém é tão rico nos dias de hoje, se não utilizar outras pessoas, se não viciá-las também!

Lembro-me como se fosse hoje, que a primeira dose foi aos doze anos. Numa viagem que eu fazia partindo de Curitiba. Manoel, um rapaz de uns 20 anos, um verdadeiro amigo que conheci momentos antes de iniciar a viagem, disse para minha tia ainda na rodoviária, que já que eu viajava sozinho (com autorização do Juizado de Menores) ele providenciaria para que eu chegasse a São Paulo em segurança e me entregaria a minha mãe. Esse foi um amigo de muita palavra.

Partimos as vinte e duas horas, e por volta das duas horas da manhã, o ônibus em que estávamos saiu da pista e rolou oitenta metros morro abaixo, parando na beira de um riacho.

O meu amigo Manoel me acordou, me estendeu a mão, repletas de cortes na palma e com cuidado me retirou do ônibus. Lembro-me que pisamos sobre outras pessoas e sobre muitos objetos para conseguir sair de dentro das ferragens retorcidas do ônibus. Havia muita gente ferida e muito sangue por toda parte do que sobrou do ônibus.

O Manoel agarrou em minha blusa de lã e começamos a escalar o barranco. A subida foi dura, pois chovera durante a noite e o barranco estava muito escorregadio. Dávamos dois passos para cima e escorregávamos um passo para baixo. Estava muito escuro e o barulho dos carros que passavam vez por outra na pista, lá em cima, nos davam forças para continuar a escada na tentativa de pedir socorro e nos salvar.

Chegamos muito próximos da pista, mas quando faltavam pouco mais de dois metros, descobrimos que nenhum de nós conseguiria subir o trecho que faltava por que o barranco ruíra e escavara sob o acostamento da pista. O meu amigo Manoel, num esforço desesperado, conseguiu reunir forças não se sabe de onde e me ergueu parcialmente. Retirei os sapatos e subi nos seus joelhos, depois pisei na sua cintura, a seguir num de seus braços, que apertava contra seu peito, em seus ombros e por fim, em sua cabeça, agarrei-me na borda do barranco e ele me impulsionou para cima do acostamento da pista.

Manoel gritou para que eu fizesse gestos com as mãos na tentativa de parar algum veículo e assim, mesmo com dores por todo o corpo, rasgado, sujo e sangrando um pouco na cabeça, nas mãos e nas pernas, eu procedi, e em menos de cinco minutos um carro parou.

Eu não conseguia falar direito, por alguns cortes que sofrera na boca e na língua, mas lembro-me que apontei para baixo e uma mulher com um homem gordo ao lado, desceram do seu veículo meio ressabiados e olharam o ônibus na margem do riacho. Disseram que chamariam socorro, entraram no carro e desapareceram na curva da estrada.

Algum tempo depois chegou um carro da polícia rodoviária que chamou uma ambulância, bombeiros e outras viaturas, chegou também um ônibus da mesma companhia em que viajávamos.

Aos poucos, todos fomos resgatados, inclusive uma moça nissei que faleceu no local.

No hospital, todos quantos puderam e também seus parentes, vieram me dar os parabéns pelo resgate. Mesmo eu sendo uma criança inocente e, de certa forma, tendo sido obrigado pelo destino e pelo Manoel a conseguir socorro, me senti tão bem por ter de alguma forma ajudado àquelas pessoas, que não consegui mais parar e hoje, sou um viciado em amar o meu semelhante, fazer o bem e em respeitar a natureza e todos os seus componentes. E pensar que tudo começou com a mão do meu amigo Manoel, que mesmo tendo alta do hospital antes, esperou pela minha liberação para terminar a viagem comigo e cumprir sua promessa.

Vamos lá, vicie-se! Sempre aparecerão oportunidades de você experimentar e viciar-se, também, afinal de uma forma ou de outra, estamos todos interligados.

* O acidente é verídico e ocorreu na madrugada de 29/07/1966, na Rodovia Regis Bittencourt no Paraná em diração a São Paulo.

Autor: Julio Lótus - 28/11/2008

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